Sleep News
 

 

CARTA DO EDITOR

Colegas,

Há 11 anos diagnosticando distúrbios do sono com os aparelhos mais modernos disponíveis no mercado, a SLEEP, lança a partir de MÊS de 2007 o primeiro jornal SLEEP. Essa decisão vem de encontro à grande demanda de informações sobre distúrbios do sono, tema tão instigante, por envolver diferentes áreas da medicina. A cada Jornal disponibilizaremos informações básicas, sucintas e atualizadas das várias apresentações dos distúrbios do sono, veiculadas nas mais diversas revistas especializadas. Neste primeiro exemplar, entre outras matérias, reproduzimos a Escala de Sonolência de Epworth, ferramenta muito útil na avaliação subjetiva da sonolência diurna. Boa leitura !! Um abraço,

Flávio Magalhães



O BOM SONO AUMENTA A LONGEVIDADE E EMAGRECE

A população em geral, sofre com a falta de sono. Nos últimos 100 anos, o homem moderno perdeu, em média, uma hora e meia de sono. Em 1910, dormia-se cerca de nove horas por noite. A média atual não ultrapassasete sete horas e meia. Pode-se até argumentar que, de lá para cá, a expectativa de vida dobrou. Mas, a evolução da expectativa de vida envolve outras variáveis, como a cura de doenças e a melhoria das condições sanitárias. Isolado, o sono também é determinante para a longevidade. Há pesquisas que comprovam isso. Dormir é importante porque aumenta a longevidade, diminui o estresse, evita doenças e até cura algumas delas. Alguns estudos recentes também relacionam um bom sono ao emagrecimento. O primeiro foi o US Health & Nutrition Examination Survey que concluiu que se a pessoa dormisse menos do que 7 horas por noite teria um IMC maior do que uma pessoa que dormisse mais horas. Um outro estudo conduzido por US Nurses'Health, que acompanhou 68000 mulheres por 16 anos encontrou que as mulheres que dormiam uma média de 5 horas por noite, ganhavam mais peso do que as que dormiam 6 horas, que por sua vez ganhavam mais peso do que as que dormiam 7 horas. Os pesquisadores sugeriram que este fato ocorria devido a uma alteração no metabolismo, com redução do hormônio leptina, que sinaliza a saciedade e um aumento da grelina, que sinaliza a fome. Pessoas que permanecem acordadas por períodos superiores ao recomendado produzem menores quantidades de leptina. Resultado: o corpo sente necessidade de ingerir maiores quantidades de carboidratos. Com a redução das horas de sono, a probabilidade de desenvolver diabetes também aumenta. A falta de sono inibe a produção de insulina pelo pâncreas, além de elevar a quantidade de cortisol, o hormônio do estresse, que tem efeitos contrários aos da insulina, fazendo com que se eleve a taxa de glicose no sangue, o que pode levar a um estado pré-diabético ou, mesmo, ao diabetes propriamente dito. Num novo estudo, homens que dormiram apenas quatro horas por noite, durante uma semana, passaram a apresentar intolerância à glicose (estado pré-diabético).


A PARALISIA DO SONO ASSUSTA E NÃO É TÃO INCOMUM

A paralisia do sono ocorre no período de transição sono-vigília e representa a persistência da atonia do sono REM na vigília, ocorrendo em até 33% da população geral. Durante o evento o paciente apresenta uma incapacidade de se movimentar ou falar. A maioria das pessoas acometidas refere a paralisia do sono como um evento assustador, pois freqüentemente experimentam uma sensação de sufocamento e sensação de medo, como se estivesse sendo ameaçada por alguém. Em alguns casos ocorrem alucinações visuais e ou auditivas que só melhoram com o término do evento. Esses episódios duram poucos minutos e seu final pode ser desencadeado por estímulo táctil ou um som que acaba por despertar o paciente. São muitas vezes confundidas com eventos de origem espiritual ou de contatos com seres extraterrestres. Esses episódios podem ocorrer após privação importante do sono, horários de sono irregulares, ingestão de álcool e mais freqüentemente em pacientes narcolépticos.


ESCALA DE SONOLÊNCIA DE EPWORTH

A Escala de Sonolência de Epworth foi descrita por Johns MW, em 1991, e pela sua facilidade de aplicação é a mais utilizada para avaliar a sonolência diurna. Consiste em oito questões que descrevem situações diárias que podem induzir à sonolência. Cada questão é graduada de 0 a 3 pontos; sendo que escores acima de 10 são sugestivos de sonolência diurna significativa e acima de 15 estão associados à sonolência patológica presente em condições específicas, tais como apnéia do sono e narcolepsia. Para o resultado ser confiável é preciso que o paciente responda sinceramente as questões. Por vezes o resultado é melhor, quando a companheira (o) ajudam nas respostas.

Escala de Sonolência Epworth

Qual a probabilidade de você “cochilar” ou adormecer nas situações que serão apresentadas a seguir? Procure separar da condição de sentir-se somente cansado. Utiliza a escala apresentada a seguir para escolher o número mais apropriado para cada situação.

0 = Nenhuma chance de cochilar 1 = Pequena chance de cochilar

2 = Moderada chance de cochilar 3 = Alta chance de cochilar

Situação
0
1
2
3
a) Sentado e lendo.        
b) Vendo televisão.        
c) Sentado em lugar público sem atividade(sala de espera, cinema, reunião)        
d) Como passageiro de trem, carro ou ônibus, andando 1 hora sem parar.        
e) Deitado para descansar à tarde quando as circunstâncias permitem.        
f) Sentado e conversando com alguém.        
g) Sentado calmamente, após um almoço sem ingestão de bebida alcoólica.        
h) Se estiver de carro, enquanto pára por alguns minutos no trânsito intenso        
Total de Pontos:        



CAFEÍNA (Beba com moderação)

A cafeína é, provavelmente, a substância psicoativa mais usada no mundo. Ela é encontrada em bebidas tais como, café, estimulantes (p.e. Red Bulls) chás “escuros”, refrigerantes a base de cola, chocolate, analgésicos e medicações antigripais.

Mas o uso abusivo pode acarretar prejuízo, que se não graves, podem contribuir para acentuar a morbidade de patologias pré-existentes ou desencadear distúrbios latentes.

O hábito de ingerir café pela manhã é mundialmente difundido, mas algumas pessoas podem desenvolver uma dependência mesmo que fraca, após uma parada repentina.

Pesquisas americanas e britânicas, baseadas em dados de consumo de produtos contendo cafeína relatam que a dose média de cafeína diária ingerida nos Estados Unidos pela população em geral fica em torno de 3mg/kg do peso corporal, e nos casos de avaliar somente o consumo de adultos a dose sobe para aproximadamente 4mg/kg e nos casos dos consumidores de altas doses, a média fica por volta de 5-7 mg/kg. Na Grã-Bretanha o consumo é maior, sendo de 4 mg/kg pela população em geral e de 7.5 mg/kg para os consumidores de altas doses.

A dose efetiva para reduzir a sonolência, segundo estudo recente, tem que ser maior do que 200mg/d, embora esse valor possa variar de pessoa para pessoa por diferenças no metabolismo da substância e devido ao efeito de tolerância desenvolvido nos consumidores crônicos. A meia vida da cafeína é de 3 a 7 horas, mas os efeitos podem perdurar até 8 - 14 horas. Para a maioria das pessoas a ingestão de 1grama de cafeína pode ocasionar insônia, confusão mental, arritmia cardíaca e doses acima de 5 gramas pode ser fatal.

Nos casos em que se segue a conclusão de que a dose diária de cafeína está elevada deve-se reduzir gradualmente para se evitar a síndrome de abstinência, que pode se manifestar como irritabilidade, insônia, alteração do humor, fadiga, sonolência, cefaléia, podendo perdurar por até 18 a 24 horas. Abaixo segue uma tabela com a quantidade de cafeína nas bebidas mais conhecidas, para que as pessoas possam calcular o quanto ingerem de cafeína por dia.

Produto
Cafeína
236 ml de café 90-110mg
29,57 ml de expresso 90mg
177,43 ml de capuccino 90mg
236 ml café descafeinado 5mg
29,57 ml de expresso descafeinado 10mg
236 ml de coca-cola 23mg
236 ml de coca light 31mg
236 ml chá gelado 60mg
240 ml Red Bull 80mg


SONAMBULISMO e etc...

Desordens do despertar tais como sonambulismo, terror noturno e despertar confusional são comuns, ocorrendo em aproximadamente 20% das crianças e em 4% dos adultos. Assim como muitos distúrbios do sono essas desordens não ocorrem espontaneamente, mas parece ser um resultado de uma série de fatores que interagem, em pacientes geneticamente suscetíveis.

Acredita-se que, tanto o Sonambulismo quanto as outras desordens do despertar requerem fatores predisponentes e desencadeantes. Publicações recentes têm mostrado que o gene HLA DQB1 está presente em 35% dos pacientes que apresentam quadros de sonambulismo comparados com 13,3% dos controles. A história de sonambulismo acometendo familiar em primeiro grau aumenta em 10x a chance dessa desordem ocorrer.

A predisposição genética não garante que o sonambulismo ou outra desordem do despertar ocorrerá, apenas indica que existe uma maior probabilidade, na vigência de fatores desencadeantes.

A quantidade de sono de ondas lentas é tida como um fator que favorece o aparecimento de sonambulismo, o que explicaria a maior incidência desses distúrbios do sono nas crianças e em menor grau nos adultos.

Estudos indicam que uma “instabilidade” do sono não REM, com despertares durante essa fase do sono, seria a base do sonambulismo, em indivíduos suscetíveis.

O estresse é um fator frequentemente notado nos casos de sonambulismo. Sendo que o estresse deve ser diferenciado de desordens psicológicas, tais como depressão. Eventos estressantes do tipo conflitos familiares, problemas relacionados ao trabalho são os mais comuns. A presença de fatores desencadeantes não pode ser encarada como suficiente para causar os episódios de sonambulismo, embora seja necessária. Eventos que fragmentam o sono são considerados como predisponentes para o sonambulismo, destacando-se entre eles, as desordens respiratórias do sono, movimentos periódicos dos membros, barulho e/ou mudança no ambiente do sono.

O diagnóstico de sonambulismo e desordens relacionadas deve ser feito, na sua grande maioria, com base na história clínica, sendo de consenso geral que os achados polissonográficos isolados não podem ser encarados como definitivos. Alguns pesquisadores sugerem que manobras provocativas possam ser feitas durante o estudo do sono, tentando mimetizar o momento do sonambulismo.

Portanto sonambulismo é uma via final de uma série de fatores predisponentes, iniciantes e desencadeantes. Embora um ou mesmo dois fatores possam não ser suficientes para que um episódio ocorra. Tendo isso em mente o estudo do sono serve para identificar as possíveis causas dos despertares e com isso tratar ou controlar esses fatores desencadeantes. Outra importante contribuição da polissonografia é a avaliação da ocorrência de descargas elétricas cerebrais, associadas ou até mesmo responsáveis pelos fenômenos motores durante o sono. Fornecendo dados para o diagnóstico diferencial entre um evento de sonambulismo de uma crise de lobo frontal ou outras manifestações epilépticas.


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